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ACONSELHAMENTO PASTORAL

DIZIMISTAS E NÃO DIZIMISTAS: CRÍTICAS E DISCRIMINAÇÕES NA IGREJA

Prof. Expedito Darcy 21 jul 2026 14

DIZIMISTAS E NÃO DIZIMISTAS: CRÍTICAS E DISCRIMINAÇÕES NA IGREJA

Introdução

O dízimo sempre ocupou um lugar importante na vida da Igreja. Somos favoráveis à contribuição voluntária, consciente e fiel para a manutenção da Obra de Deus. Entretanto, quando esse ensino deixa de ser orientado pelas Escrituras e passa a ser utilizado como instrumento de pressão, constrangimento ou discriminação, torna-se motivo de preocupação para todos aqueles que amam a Igreja de Cristo.

Infelizmente, algumas práticas têm surgido em determinados segmentos cristãos que não encontram respaldo bíblico. Em vez de estimular a fidelidade por amor e gratidão a Deus, utilizam o medo, a exposição pública e até ameaças espirituais para constranger irmãos que, por diversas razões, deixaram de contribuir temporariamente.

A Palavra de Deus continua sendo nossa única regra de fé e prática. Portanto, toda inovação eclesiástica deve ser cuidadosamente examinada à luz das Sagradas Escrituras.

O apóstolo Paulo escreveu:

“Cada um contribua segundo propôs no coração, não com tristeza ou por necessidade; porque Deus ama ao que dá com alegria.” (2 Coríntios 9.7)

I A CONTRIBUIÇÃO CRISTÃ NÃO PODE SER TRANSFORMADA EM INSTRUMENTO DE DISCRIMINAÇÃO

Quem nunca passou por dificuldades financeiras? Existem momentos em que despesas inesperadas surgem, problemas familiares aparecem ou simplesmente falta o recurso necessário. Isso não significa, necessariamente, falta de fé ou rebeldia contra Deus.

O problema começa quando algumas igrejas passam a tratar o irmão que deixou de entregar seu dízimo como alguém espiritualmente inferior.

Em determinados lugares, chega-se ao ponto de divulgar publicamente quem está em dia e quem está em atraso, criando um ambiente de constrangimento e vergonha.

Há igrejas que mantêm listas ou cadernos contendo os nomes dos dizimistas, que são lidos diante da congregação ou afixados em quadros de avisos. Tal procedimento expõe pessoas que muitas vezes estão enfrentando dificuldades financeiras, problemas familiares ou outras circunstâncias que somente Deus conhece, este procedimento pode gerar processo judicial, por coação e constrangimento em público.

Perguntamos: onde encontramos esse procedimento nas Sagradas Escrituras?

A Bíblia orienta a contribuição, mas jamais autoriza a exposição pública daqueles que, por algum motivo, não puderam contribuir.

Além disso, alguns utilizam Malaquias 3 para afirmar que todo aquele que deixa de dizimar é automaticamente ladrão diante da Igreja.

Essa interpretação, aplicada sem o devido contexto histórico e teológico, tem produzido medo, culpa e sofrimento em muitos irmãos sinceros.

Há pessoas que deixam a congregação não porque perderam a fé em Cristo, mas porque não suportam o constrangimento público.

A Igreja existe para restaurar pessoas, não para humilhá-las.

Tiago escreveu:

“Meus irmãos, não tenhais a fé em nosso Senhor Jesus Cristo em acepção de pessoas.” (Tiago 2.1)

Quando irmãos passam a receber tratamento diferente conforme o valor de sua contribuição financeira, corre-se o sério risco de praticar exatamente aquilo que as Escrituras condenam.

II A IGREJA DEVE PROMOVER GENEROSIDADE, NÃO CONSTRANGIMENTO

O dízimo e as ofertas possuem finalidade importante na manutenção da Obra de Deus. Igrejas precisam de recursos para cumprir sua missão, sustentar seus ministérios, realizar ações sociais e expandir o Evangelho. Entretanto, os meios utilizados para incentivar a contribuição também precisam estar de acordo com os princípios cristãos.

Quando alguém deixa de contribuir, talvez o primeiro questionamento não devesse ser: “Por que ele não entregou o dízimo?”, mas: “Será que esse irmão está passando por alguma necessidade?”

A Igreja Primitiva ofereceu um exemplo completamente diferente.

Lucas registra:

“Não havia entre eles necessitado algum.” (Atos 4.34)

Antes de exigir dos necessitados, a comunidade cristã cuidava deles.

Infelizmente, em alguns contextos, irmãos deixam de participar de determinadas atividades da igreja, deixam de ser escalados para funções ministeriais e até se sentem excluídos da comunhão por estarem em débito com seus dízimos.

Mais preocupante ainda é quando determinadas celebrações ou privilégios espirituais passam a depender da situação financeira do membro. A Ceia do Senhor, instituída por Cristo como memorial de sua morte e ressurreição, não pode transformar-se em instrumento de pressão financeira.

Onde encontramos Jesus impedindo alguém de participar da Ceia por não possuir recursos financeiros?

Onde encontramos os apóstolos utilizando listas de contribuintes para definir quem poderia servir ao Reino?

Até no quadro de aviso foi colocada a lista dos dizimistas, mais uma péssima forma de discriminação.

Ao contrário, Paulo advertiu que todos deveriam examinar a si mesmos diante de Deus.

“Examine-se, pois, o homem a si mesmo, e, assim, coma do pão e beba do cálice.” (1 Coríntios 11.28)

O critério apresentado pelo apóstolo é espiritual, e não financeiro.

Quando práticas administrativas ultrapassam os limites das Escrituras Sagradas, cabe à Igreja refletir com humildade, discernimento e amor. Nenhuma tradição, por mais antiga que seja, deve substituir a autoridade da Palavra de Deus.

Precisamos ensinar a fidelidade cristã sem recorrer ao constrangimento. A verdadeira generosidade nasce de um coração transformado pelo Evangelho e não do medo da exposição pública.

Conclusão

O ensino sobre os dízimos continua sendo importante para a vida da Igreja. Contribuir para a obra de Deus é um privilégio e uma demonstração de gratidão ao Senhor. Entretanto, nenhuma contribuição deve ser utilizada para medir a espiritualidade de uma pessoa ou servir como motivo de discriminação entre irmãos.

A Igreja de Cristo é chamada a acolher, ensinar, discipular e restaurar pessoas. Quando práticas administrativas produzem constrangimento, acepção de pessoas ou exposição pública desnecessária, torna-se necessário reavaliá-las à luz das Escrituras Sagradas.

Que nossas igrejas permaneçam firmes na verdade bíblica, ensinando a fidelidade financeira com amor, transparência e equilíbrio, lembrando que Deus conhece tanto o coração daquele que contribui quanto daquele que, por circunstâncias da vida, enfrenta momentos de dificuldade.

Como declarou o apóstolo Pedro:

“Apascentai o rebanho de Deus que está entre vós… não como dominadores dos que vos foram confiados, antes tornando-vos modelos do rebanho.” (I Pedro 5.2-3)

Bibliografia

BÍBLIA. Bíblia Sagrada. Tradução de João Ferreira de Almeida. Revista e Atualizada. Barueri: Sociedade Bíblica do Brasil, 1995.

LOPES, Hernandes Dias. Malaquias: O Chamado ao Compromisso com Deus. São Paulo: Hagnos.

MACARTHUR, John. Comentário Bíblico do Novo Testamento. São Paulo: Cultura Cristã.

STOTT, John R. W. A Mensagem de 2 Coríntios. São Paulo: ABU.

WIERSBE, Warren W. Seja Generoso. São Paulo: Geográfica.

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