ANÁLISE DA PREGAÇÃO EXPOSITIVA BATISTA A PARTIR DA TEOLOGIA PRÁTICA
Quanto à Pregação Batista, dispensaríamos maiores comentários, pois o nosso intuito é apenas compará-la com a Pregação Pentecostal de Improviso, que analisaremos posteriormente, a fim de considerar as diferenças e as suas implicações. Faremos algumas considerações pertinentes ao conteúdo da Pregação Expositiva Batista. Com certeza, perceberemos a grande diferença no assunto explanado pelo pregador.
Trata-se, portanto, de uma Pregação Expositiva ministrada em cinquenta e cinco minutos. Achamos viável não transcrevê-la na íntegra, devido ao grande espaço que ocuparia em nossa pesquisa. Entretanto, os trechos aqui apresentados foram suficientes para demonstrar o seu conteúdo bíblico de excelente qualidade, expresso em uma linguagem simples, natural e compassada, permitindo que todos compreendessem claramente o assunto e o objetivo que o pregador pretendia alcançar com sua mensagem.
A estrutura do sermão pode ser observada pela sua leitura. Embora não tenham sido anunciados o título e o tema da mensagem, a sequência da exposição permite constatar um desenvolvimento organizado, em conformidade com os princípios da Homilética e da pesquisa bíblica. As ilustrações utilizadas foram pertinentes ao texto lido, a linguagem do pregador mostrou-se acessível, e a razão e a emoção caminharam harmoniosamente durante toda a exposição.
Transmitir um sermão durante quase uma hora exige do pregador não apenas cultura, eloquência na oratória, conhecimento teológico e intimidade com as Escrituras. Tudo isso é essencial e necessário. Entretanto, a comunhão com o Espírito Santo e a preparação prévia da mensagem constituem elementos singulares que todo pregador deve acrescentar a essas virtudes.
Conforme North, o ideal é que o sermão seja preparado antecipadamente, debaixo da unção e da direção do Espírito Santo:
“À semelhança do encontro de Jesus com a figueira estéril, o sermão entregue antes de se achar plenamente desenvolvido pode ter uma bela folhagem, mas provavelmente não produzirá muito fruto.” (NORTH, 2000, p. 39).
Não existe pregador perfeito. Contudo, a Palavra de Deus, quando anunciada, deve ser comunicada sob a direção do Espírito Santo, evitando-se, assim, constrangimentos decorrentes de afirmações feitas de maneira precipitada.
No caso da Pregação Expositiva Batista, ela merece todas as nossas considerações, pois o sermão demonstrou seriedade, equilíbrio e profundo apreço pelas Escrituras. Seu conteúdo não foi elaborado no momento da pregação, como frequentemente ocorre na Pregação Pentecostal de Improviso. Esse preparo fez toda a diferença na qualidade da exposição, na organização das ideias e na sabedoria com que a mensagem foi transmitida à Igreja.
Na Primeira Igreja Batista do Bairro Assunção, mesmo com todos os departamentos realizando normalmente as suas atividades litúrgicas, o tempo reservado à Palavra de Deus foi algo digno de admiração, principalmente em dias nos quais muitas igrejas têm destinado cada vez menos tempo à pregação bíblica, em razão da crescente participação das diversas programações. Tais atividades são importantes, porém passageiras; a Palavra de Deus, entretanto, permanece para sempre, salvando, consolando e edificando vidas.
Os cristãos autênticos sabem que a Palavra de Deus ocupa lugar de primazia na liturgia do culto, sendo elemento essencial e indispensável. Se não fosse assim, o culto deixaria de ser um encontro vivo entre Deus e o seu povo para tornar-se apenas um discurso humano ou uma apresentação monológica. Conforme a explicação de Allmen, a prioridade concedida à Palavra de Deus no culto justifica-se porque:
“Portanto, se colocarmos a Palavra de Deus em primeiro lugar, não é com o intuito de fazer com que o culto se reduza a ela, mas sim com a intenção de realçar o fato de que, sem ela, o culto cristão esvaziar-se-ia de sua substância e perderia o traço que o separa de um culto não cristão.” (ALLMEN, 2005, p. 128).
O pregador batista demonstrou sabedoria ao priorizar a Pregação Expositiva dentro de um culto com duração semelhante à de muitas igrejas pentecostais. A Pregação Expositiva pode parecer um método complexo, mas os resultados alcançados pelo pregador evidenciaram sua seriedade, idoneidade e sabedoria. Basta permanecer na presença de Deus, orar, estudar e preparar previamente aquilo que será anunciado. Tudo no culto possui a sua importância; contudo, sem a pregação da Palavra de Deus, o culto perde a sua essência.
Para Allmen, a valorização da pregação na vida da Igreja possui importância fundamental, pois ela alimenta o povo de Deus enquanto aguarda o arrebatamento. Ao abordar essa perspectiva escatológica, o autor afirma:
“No Reino não haverá mais lugar para a pregação. A pregação testemunha o fato de que essa história insere a Igreja no mundo. Por isso, quando a pregação açambarca o culto, a Igreja esquece-se de que o Reino já veio a nós e que pode viver das suas primícias. Dá-se, então, a ‘desescatologização’ da Igreja. Por conseguinte, assim como a Ceia do Senhor representa corretivo a uma vida eclesial aprisionada no mundo (a Igreja não é prisioneira do mundo), assim também a pregação representa corretivo a uma vida eclesial isenta do mundo (a Igreja está ainda no mundo).” (ALLMEN, 2005, p. 144).
Podemos considerar que o querigma da Palavra de Deus, por intermédio da pregação, constitui elemento indispensável ao culto cristão. Talvez essa seja a razão pela qual Lutero afirmou que:
“Se a Palavra de Deus não for pregada, é preferível não cantar, nem ler, nem reunir-se para o culto.” (ALLMEN, 2005, p. 144).
A Primeira Igreja Batista, à qual denominamos carinhosamente de “tradicional”, em razão da existência da Igreja Batista Reformada, que possui características pentecostais, apresentou um modelo adequado para a nossa análise comparativa. O pastor Antonio Paulo de Oliveira e os irmãos batistas estão de parabéns pelo zelo demonstrado na exposição das Escrituras. Mais importante ainda é o fato de a igreja ser alimentada por sermões solidamente fundamentados na Palavra de Deus e ministrados sob a unção do Espírito Santo.
O presente estudo é fruto de uma pesquisa de campo desenvolvida no âmbito da Dissertação de Mestrado.
Me. Expedito Darcy da Silva (Dissertação de Mestrado, 2013)