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O EMPOBRECIMENTO DO PÚLPITO E DA PREGAÇÃO BÍBLICA.

Prof. Expedito Darcy 22 jul 2026 10

O EMPOBRECIMENTO DO PÚLPITO E DA PREGAÇÃO BÍBLICA.

Sem a intenção de generalizar, infelizmente é possível constatar que, em alguns segmentos religiosos, o púlpito tem deixado de ser o lugar central da exposição fiel das Escrituras para se transformar em um espaço destinado às mais diversas atividades, relegando a pregação da verdadeira Palavra de Deus a um plano secundário. Essa realidade tem despertado a preocupação de teólogos e estudiosos da Homilética, que observam um progressivo enfraquecimento da centralidade da Palavra no culto cristão.

Blackwood (1981, p. 19) faz uma afirmação preocupante ao observar que o púlpito parece ter perdido, nos tempos recentes, muito do seu prestígio. Segundo o autor, “há um empobrecimento da pregação que tomou conta dos púlpitos das igrejas cristãs”. O culto tem sido ocupado por uma infinidade de atividades e acessórios, como músicas e outras programações, de modo que, conforme afirmam Lopes e Lopes (2011, p. 80), “o que reina entre nós não é o ministério fiel da Palavra”.

A Igreja Cristã, desde os seus primórdios, sempre compreendeu sua atividade litúrgica como um momento de reverência, iniciando-se com a saudação cristã e encerrando-se com a bênção apostólica. Durante muitos anos, essa ordem foi considerada natural e respeitada. Entretanto, as transformações ocorridas ao longo do tempo trouxeram inúmeras inovações ao processo litúrgico, especialmente nas igrejas pentecostais.

Nesse contexto, observa-se uma preocupante descaracterização da centralidade da pregação nos cultos. Diversas atividades passaram a ocupar espaço significativo na liturgia, enquanto a exposição da Palavra de Deus, em muitos casos, teve seu tempo reduzido, sobretudo em algumas igrejas pentecostais. Caso essa tendência permaneça, existe o risco de a pregação bíblica perder ainda mais espaço na vida da Igreja. Tal realidade revela a necessidade de um renovado compromisso com as Escrituras, pois uma comunidade verdadeiramente comprometida com a Palavra procura preservá-la como elemento central de sua adoração.

Não é raro observar cultos com duração de duas horas ou mais, nos quais apenas vinte ou trinta minutos são reservados para a pregação. Em muitos casos, restam apenas “pobres quirelas” de tempo para aquilo que historicamente sempre ocupou o centro do culto cristão: a proclamação da Palavra de Deus.

Nessa mesma perspectiva, Siqueira comenta sobre aquilo que denomina de “a morte do púlpito”. Segundo o autor,

“A igreja evangélica brasileira vive uma tragédia: a morte do púlpito. Nunca houve tanto desprezo pela pregação cristocêntrica.” (SIQUEIRA, 2011, p. 1).

Siqueira também chama a atenção para as profundas mudanças ocorridas nos púlpitos das igrejas cristãs. Para ele, a revolução das inovações trouxe inúmeros atrativos visuais que passaram a dominar o culto. Em sua análise, “o púlpito tem sido substituído pelo altar dos ‘levitas’ ou para os ‘sacrifícios’ em dinheiro dos mercenários mercantilistas”. Acrescenta ainda que “a ‘pregação’ da Palavra é, hoje, conceituada como qualquer um que sobe na plataforma e começa a falar ou gritar” (SIQUEIRA, 2011, p. 1).

A pregação, entretanto, constitui uma ciência que ultrapassa o simples senso comum. Sua importância para a vida da Igreja Cristã exige preparo, responsabilidade e dedicação. Nesse contexto, North (2000, p. 148) diferencia o sermão improvisado do sermão de enunciação livre. Segundo o autor, quando apenas a abertura e o encerramento são deixados para o momento da entrega da mensagem, trata-se de uma pregação improvisada ou extemporânea. A palavra extemporânea significa “fora de tempo” ou “na hora”.

Observa-se, porém, que esse tipo de sermão, muitas vezes, dispensa anotações e até mesmo o exercício da memorização. Em outras palavras, o pregador desenvolve a mensagem segundo sua própria forma de exposição, sem uma estrutura previamente organizada.

No contexto pentecostal, ainda existem desafios significativos quanto à valorização do preparo homilético. Embora nem sempre isso seja reconhecido, a improvisação nas práticas querigmáticas continua sendo um fenômeno recorrente em muitas igrejas pentecostais. Esse quadro poderá ser gradualmente superado mediante uma formação teológica sólida, oferecida pelos seminários e instituições de ensino cristão, que capacitam obreiros para o exercício responsável da exposição bíblica. Espera-se, assim, contribuir para a restauração da centralidade da Palavra de Deus nos púlpitos.

Sob essa perspectiva, a Igreja Evangélica Assembleia de Deus – Ministério de São Bernardo do Campo, São Paulo, também não se considera totalmente imune às dificuldades observadas em diversos contextos eclesiásticos, especialmente no que se refere ao espaço dedicado à pregação e ao crescente uso da improvisação. Embora muitos considerem essa prática a forma mais rápida e aparentemente mais eficiente de transmitir uma mensagem, o sermão improvisado, quando não resulta de profundo preparo espiritual e bíblico, pode apresentar fragilidade estrutural e insuficiente fundamentação nas Escrituras.

Reifler (1993, p. 112), ao tratar desse assunto, afirma que pregar sem qualquer anotação constitui uma tarefa extremamente complexa. Para o autor, trata-se de uma habilidade que poucos dominam, sendo considerada “a arte mais sublime e difícil da homilética”. Dessa forma, a improvisação somente alcança excelência quando é fruto de anos de estudo, meditação nas Escrituras, experiência ministerial e profunda dependência da direção do Espírito Santo.

Me. Expedito Darcy da Silva (Dissertação de Mestrado, 2013)

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1 comentário

  1. Meire Barroso 24 jul 2026

    Vemos muitas igrejas com muitas músicas e pouco louvor, muito barulho e pouca oração, muitas aprentacoes e oportunidades, pouco tempo sobra para falar do que importa e o real motivo de irmos ao culto.
    Mas temos pastores que se empenham em levar a palavra e os ensinamentos de Deus aos fieis.

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