AVIVA, Ó SENHOR, A TUA OBRA
INTRODUÇÃO
Findamos mais um trimestre de estudos com o clássico texto do profeta Habacuque: “Aviva, ó Senhor, a tua obra!”. Ao encerrarmos esta série de lições sobre o avivamento espiritual, somos levados a refletir sobre a urgente necessidade de buscarmos um verdadeiro mover de Deus em nossos dias.
O profeta Habacuque clamou por um avivamento para o seu povo em um período de profunda decadência espiritual, moral e social. Hoje, esse mesmo clamor deve ecoar no coração da Igreja do Senhor, pois vivemos tempos de grande apostasia, esfriamento espiritual e desprezo pelos princípios da Palavra de Deus.
Nunca, em toda a história da Igreja, houve tanta necessidade de um avivamento genuíno, produzido pelo Espírito Santo. Não basta apenas conhecer a doutrina ou estudar sobre o avivamento; é necessário experimentá-lo na vida pessoal, na família e na igreja. O verdadeiro avivamento conduz o povo de Deus à santificação, ao arrependimento, à oração, ao compromisso com as Escrituras e ao desejo sincero de viver para a glória de Deus.
A Palavra do Senhor continua nos convocando à santidade: “Santificai-vos, porque amanhã o Senhor fará maravilhas no meio de vós” (Js 3.5). Da mesma forma, o apóstolo Paulo nos exorta: “...enchei-vos do Espírito” (Ef 5.18).
As forças do mal têm se levantado contra a Igreja ao longo dos séculos, mas jamais prevalecerão, porque Jesus Cristo continua sendo o Senhor da Igreja. Entretanto, isso não nos isenta da responsabilidade de buscarmos continuamente uma vida de santificação, tanto individual quanto coletiva.
Que o clamor de Habacuque também seja o nosso: “Aviva, ó Senhor, a tua obra!”
I – O CLAMOR PELO AVIVAMENTO
1. A intercessão angustiada do profeta
O profeta Habacuque sofreu profundamente diante da iniquidade avassaladora de Judá.
Esse também deve ser o compromisso dos ministros do Senhor diante dos pecados do povo de Deus, especialmente daqueles irmãos que passam por provações e já não encontram forças para buscar uma vida de santificação.
Habacuque, como mensageiro do Senhor, compreendia que sua maior responsabilidade era clamar a Deus de todo o coração em favor da nação.
Além disso, o que mais angustiava o profeta era perceber que, aparentemente, Deus ainda não havia agido prontamente contra a corrupção espiritual e moral do seu povo. Entretanto, Deus jamais deixa de olhar para o pecador com misericórdia.
O profeta clamou ao Senhor, indagando-lhe por que ainda não havia resposta ao seu clamor diante da violência, da iniquidade, da destruição, da contenda e do litígio que presenciava diante dos seus olhos (Hc 1.2-4).
O zelo e a ousadia do profeta
“Até quando, Senhor, clamarei eu, e tu não me escutarás? Gritar-te-ei: Violência! E não salvarás? Por que me mostras a iniquidade e me fazes ver a opressão? Pois a destruição e a violência estão diante de mim; há contendas, e o litígio se suscita. Por esta causa, a lei se afrouxa, e a justiça nunca se manifesta, porque o perverso cerca o justo; a justiça é torcida.” (Hc 1.2-4)
2. A aparente indiferença de Deus
Para Deus não há diferença quanto à impiedade do homem, seja servo ou não.
Deus age de acordo com a Sua misericórdia e longanimidade para com os transgressores. Hoje, Ele não executa imediatamente o juízo como fez em determinadas ocasiões no Antigo Testamento.
Como declarou o profeta Ezequiel:
“A alma que pecar, essa morrerá; o filho não levará a iniquidade do pai, nem o pai, a iniquidade do filho; a justiça do justo ficará sobre ele, e a perversidade do perverso cairá sobre este. Mas, se o perverso se converter de todos os pecados que cometeu, guardar todos os meus estatutos e fizer o que é reto e justo, certamente viverá; não morrerá.” (Ez 18.20-21)
O amor de Deus pela graça
Deus, pela Sua infinita graça, enviou o Senhor Jesus Cristo com uma mensagem de amor para salvar o homem.
Disse o apóstolo João:
“Porque Deus amou o mundo de tal maneira que deu o seu Filho unigênito, para que todo aquele que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna.” (Jo 3.16)
A justiça de Deus pela Sua santidade
Infelizmente, grande parte da humanidade continua dando as costas para Deus.
Entretanto, por causa da santidade divina, chegará o dia em que todos os que desprezam a Sua Palavra responderão diante do Senhor, conforme está escrito:
“Os ímpios serão lançados no inferno, e todas as nações que se esquecem de Deus.” (Sl 9.17)
3. A resposta pronta de Deus
O Senhor nunca nos deixa sem resposta, seja ela positiva ou negativa.
Deus respondeu a Habacuque de maneira muito diferente daquela que o profeta esperava.
Na Sua soberania, o Senhor levantou os caldeus, os babilônios, como instrumento de juízo para confrontar os pecados e as iniquidades de Judá (Hc 1.5-7).
“Vede entre as nações, olhai, maravilhai-vos e desvanecei, porque realizo, em vossos dias, obra tal que vós não crereis, quando vos for contada. Pois eis que suscito os caldeus, nação amarga e impetuosa, que marcha pela largura da terra para apoderar-se de moradas que não são suas. Eles são pavorosos e terríveis; fazem de si mesmos a sua lei e a sua dignidade.” (Hc 1.5-7)
A investida dos caldeus serviria para levar Judá a refletir sobre os seus maus caminhos e converter-se das suas impiedades, que já haviam ultrapassado os limites da tolerância divina (Hc 1.8-13).
Mesmo quando parecia permanecer em silêncio, Deus estava concedendo tempo para que a nação se arrependesse e se lembrasse dos Seus constantes alertas. Contudo, o povo não se voltou para o Senhor.
Por isso, Deus ordenou ao profeta que escrevesse a visão de forma bem clara, para que até quem passasse correndo pudesse lê-la e compreender a mensagem divina (Hc 2.2-3).
II – O AVIVAMENTO PELA PALAVRA
1. Ouvir a Palavra de Deus
Habacuque disse: “Ouvi, Senhor, a tua palavra” (Hc. 3:2).
Ele ouviu a Palavra de Deus, ou seja, a resposta da boca do Senhor quanto ao objeto de sua oração.
Deus falou, e Habacuque o ouviu atentamente. Os ouvidos do profeta estavam atentos à voz de Deus.
Precisamos ouvir a voz de Deus com mais atenção e reverência, para vivermos um avivamento espiritual genuíno, e não apenas faíscas de avivamento.
Obviamente, quando Deus fala, precisamos estar sempre atentos para ouvi-lo.
2. Temer a Deus
Ao ouvir a Palavra de Deus, Habacuque temeu ao Senhor (Hc. 3:2).
Além de ouvirmos a Deus, também é preciso temê-lo com toda reverência.
Não pode haver, em hipótese alguma, um verdadeiro avivamento sem temor ao Senhor.
“O temor do Senhor é o princípio da sabedoria; bom entendimento têm todos os que lhe obedecem; o seu louvor permanece para sempre.” (Sl. 111:10).
Devemos entender que o temor ao Senhor nada tem a ver com medo, pavor ou terror, a não ser que estejamos vivendo em pecado.
Temer a Deus nos leva a reverenciá-lo em todas as áreas da vida. É um sentimento de profundo respeito para com o Senhor.
Portanto, viver uma vida que reverencie a Deus é o verdadeiro “princípio da sabedoria” para todo crente fiel.
3. O clamor pelo avivamento
O momento era de intensa preocupação pelo esfriamento espiritual do povo. Mesmo assim, Habacuque roga a Deus que avive a Sua obra:
“Ouvi, Senhor, a tua palavra e temi; aviva, ó Senhor, a tua obra no meio dos anos; no meio dos anos a notifica; na ira lembra-te da misericórdia.” (Hc. 3:2).
Quando o profeta compreendeu que o juízo de Deus seria inevitável sobre o povo desobediente, percebeu que a nação pereceria se não entrasse no prumo de Deus.
Ele ouviu a Palavra com temor e clamou ao Senhor pelo avivamento espiritual de Judá. Caso contrário, o povo seria destruído.
Habacuque apresentou três pedidos ao Senhor em favor da restauração espiritual do seu povo:
- Que Deus avivasse a Sua obra.
- Que Deus tornasse conhecida a Sua obra.
- Que Deus, em Sua ira, se lembrasse da misericórdia.
Finalmente, Habacuque demonstra um profundo sentimento de esperança, fé e confiança em Deus (Hc. 3:17-19). É notável a firme convicção do profeta.
“Ainda que a figueira não floresça, nem haja fruto na vide; o produto da oliveira minta, e os campos não produzam mantimento; as ovelhas sejam arrebatadas do aprisco, e nos currais não haja gado, todavia, eu me alegrarei no Senhor, exultarei no Deus da minha salvação. O Senhor Jeová é a minha força, fará os meus pés como os das cervas e me fará andar sobre as minhas alturas.” (Hc. 3:17-19).
Precisamos nos submeter à Palavra de Deus
A Bíblia não trata este assunto de forma acidental. Por ser a eterna Palavra de Deus, ela é a autoridade máxima em tudo quanto cremos e praticamos.
Se não fosse a sua verdade imutável, os padrões de justiça e santidade acabariam degenerando em simples opiniões humanas.
Até mesmo o nosso conhecimento sobre Cristo, a Palavra Viva de Deus, estaria perdido em meio à confusão e à incerteza, se não fosse o testemunho seguro das Escrituras.
A Bíblia, e somente a Bíblia, é a base para determinar aquilo em que devemos crer.
Ela é o instrumento primordial de toda bênção e justiça divina, o meio pelo qual o Espírito Santo ministra a graça de Deus aos nossos corações sedentos da Sua presença gloriosa.
A submissão à autoridade das Escrituras é a primeira condição para o verdadeiro avivamento. Deus nos enviou a Sua Palavra para ser lida, examinada e meditada com zelo.
Diante d’Ele, todo joelho deve dobrar-se.
“Por mim mesmo tenho jurado; da minha boca saiu o que é justo, uma palavra que não tornará atrás: diante de mim se dobrará todo joelho, e por mim jurará toda língua.” (Is. 45:23).
Quando Deus fala, temos o dever de ouvir. Não nos cabe mudar, adaptar ou desconsiderar a Sua mensagem. Também não fomos chamados para defender a Palavra de Deus como se ela dependesse de nós, nem para acrescentar qualquer coisa ao que Deus revelou.
A Bíblia não está sendo julgada; nós é que estamos.
Nosso dever é crer, obedecer e viver segundo as Escrituras.
Uma vez conscientes dessa responsabilidade, nosso coração se abre para a instrução espiritual.
“A submissão à autoridade da Bíblia é a primeira condição para o avivamento.” (COLEMAN, Robert. A Chegada do Avivamento Mundial. 1. ed. Rio de Janeiro: CPAD, 1996, p. 39. Texto adaptado em partes.)
III – AVIVAMENTO: QUESTÃO DE VIDA OU DE MORTE
1. O clamor pela misericórdia de Deus
Além de clamar por um grande avivamento, Habacuque clamou, primeiramente, pela misericórdia do Senhor diante das terríveis consequências do juízo divino que viria sobre a nação impenitente.
Portanto, para a visão do profeta, era uma questão de vida ou de morte.
Por isso, Habacuque suplicou: “Na ira, lembra-te da misericórdia” (Hc. 3:2).
Habacuque sabia que, diante da decadência espiritual e moral do povo, se Deus não tivesse misericórdia, toda a nação pereceria sob o peso da Sua justa mão.
Era necessário que o povo rasgasse o coração em arrependimento, para que a misericórdia do Senhor viesse sobre eles.
2. Deus é misericordioso
Habacuque sabia que Deus ouve as orações daqueles que pecam, mas que se arrependem sinceramente e buscam a Sua face.
Deus é misericordioso.
A Bíblia relata o episódio de Davi, que preferiu cair nas mãos do Senhor por causa das Suas misericórdias:
“Caia eu, pois, nas mãos do Senhor, porque são muitíssimas as suas misericórdias; mas nas mãos dos homens não caia eu.” (1Cr. 21:13).
Maior percepção a respeito do caráter misericordioso de Deus teve o profeta Jeremias, quando declarou:
“As misericórdias do Senhor são a causa de não sermos consumidos, porque as suas misericórdias não têm fim.” (Lm. 3:22).
3. Clamemos a Deus
Podemos afirmar que a depravação moral no mundo tornou-se cada vez mais evidente.
Na maioria das vezes, já não existe o menor sentimento de vergonha ou pudor. Observamos uma crescente banalização do ser humano, em contraste com a santidade do nosso Deus.
Os meios de comunicação e uma sociedade cada vez mais corrompida caminham lado a lado. A iniquidade não é praticada apenas individualmente ou por pequenos grupos, mas, muitas vezes, encontra respaldo em estruturas sociais e legais que caminham na contramão das Escrituras Sagradas.
Há poucos anos, governos culturalmente influentes passaram a incluir em suas agendas temas favoráveis ao aborto, ao chamado “casamento gay” e à ideologia de gênero, assuntos que continuam sendo amplamente debatidos e que crescem em aceitação na sociedade. Diante desse cenário, a Igreja deve permanecer fiel à Palavra de Deus e perseverar em oração.
Além disso, existem “igrejas” que, dizendo-se cristãs, aprovam práticas contrárias aos ensinamentos bíblicos. Muitos líderes e membros têm assumido posições incompatíveis com a doutrina das Escrituras.
A pretexto de serem “igrejas inclusivas”, aceitam a depravação moral como norma, alegando que “Deus é amor” e, por isso, não exclui ninguém.
A Bíblia, porém, declara:
“Segui a paz com todos e a santificação, sem a qual ninguém verá o Senhor.” (Hb. 12:14).
Certamente, o juízo de Deus não tardará.
“Os ímpios serão lançados no inferno, e todas as nações que se esquecem de Deus.” (Sl. 9:17).
Portanto, devemos fazer a mesma oração do profeta Habacuque:
“Na ira, lembra-te da misericórdia.” (Hc. 3:2).
Seja você essa pessoa.
Não é esse o serviço lógico de todo cristão?
É claro que esperamos que os oficiais da igreja liderem esse processo de despertamento espiritual. Entretanto, a responsabilidade pelo avivamento não deve repousar apenas sobre os líderes, nem devemos pensar que será um pregador convidado quem produzirá o verdadeiro avivamento.
Cada membro da congregação deve encarar o avivamento como uma responsabilidade pessoal, procurando servir ao Senhor na área em que Deus lhe concedeu dons e capacidades.
É tempo de parar de transferir essa responsabilidade para outras pessoas.
Que tal você? Que tal eu? Que tal todos nós?
Não importa qual seja a sua posição na igreja, nem quais dons você possua. A pergunta continua sendo a mesma: você está realmente aberto à direção do Espírito Santo?
Seu coração já foi purificado dos desejos maus e dos interesses egoístas?
Um simples interesse pelo avivamento não é suficiente.
Seu coração, sua casa e seus negócios são testemunhas do amor transbordante de Deus?
Como escreveu Robert Coleman:
“Cada membro da congregação deve encarar o avivamento como uma responsabilidade pessoal.” (COLEMAN, Robert. A Chegada do Avivamento Mundial. 1. ed. Rio de Janeiro: CPAD, 1996, p. 72. Texto adaptado em partes.)
CONCLUSÃO
Ao concluirmos este estudo, aprendemos que o verdadeiro avivamento não é produzido pelo esforço humano, nem por métodos ou estratégias, mas pela ação soberana de Deus na vida do seu povo. O clamor do profeta Habacuque continua atual e necessário para a Igreja de Cristo em nossos dias: “Aviva, ó Senhor, a tua obra.”
Vivemos tempos de grande decadência espiritual e moral, semelhantes aos enfrentados pelo profeta. Por isso, a Igreja precisa voltar-se para Deus com arrependimento, santificação, oração e obediência à Sua Palavra. Não basta apenas falar sobre avivamento; é preciso viver um avivamento genuíno, que transforme vidas, restaure famílias, fortaleça a Igreja e glorifique o nome do Senhor.
Habacuque nos ensina que, mesmo diante da disciplina divina, devemos confiar na misericórdia de Deus. O Senhor continua chamando o seu povo ao arrependimento e está pronto para restaurar aqueles que se voltam para Ele de todo o coração.
Que a oração do profeta seja também a nossa oração diária:
“Ouvi, Senhor, a tua palavra e temi; aviva, ó Senhor, a tua obra no meio dos anos; no meio dos anos a notifica; na ira lembra-te da misericórdia.” (Hc. 3:2).
Que Deus encontre em cada um de nós um coração quebrantado, disposto a ouvir a Sua voz, obedecer à Sua Palavra e buscar continuamente um verdadeiro avivamento espiritual, até o glorioso dia da volta de nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo.
BIBLIOGRAFIA
A BÍBLIA. Português. Bíblia Sagrada. Tradução de João Ferreira de Almeida. Revista e Corrigida. Barueri, SP: Sociedade Bíblica do Brasil, 2009.
COLEMAN, Robert E. A Chegada do Avivamento Mundial. 1. ed. Rio de Janeiro: CPAD, 1996.
HORTON, Stanley M. (Ed.). Teologia Sistemática: Uma Perspectiva Pentecostal. Rio de Janeiro: CPAD.
PEARLMAN, Myer. Conhecendo as Doutrinas da Bíblia. São Paulo: Editora Vida.
CHAMPLIN, Russell Norman. O Antigo Testamento Interpretado: Versículo por Versículo. São Paulo: Hagnos.
WIERSBE, Warren W. Comentário Bíblico Expositivo: Antigo Testamento. Santo André, SP: Geográfica Editora.
LOPES, Hernandes Dias. Habacuque: A Vitória da Fé em Meio à Crise. São Paulo: Hagnos.
RYRIE, Charles C. Bíblia de Estudo Ryrie. São Paulo: Mundo Cristão.
MACARTHUR, John. Bíblia de Estudo MacArthur. Barueri, SP: Sociedade Bíblica do Brasil.
CPAD. Lições Bíblicas Adultos – 1º Trimestre de 2023: Avivamento: Ação do Espírito Santo na Vida da Igreja. Rio de Janeiro: CPAD, 2023.
SILVA, Expedito Darcy da. Estudos Bíblicos e Teológicos. Material didático do autor.
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